CANDIDATURAS DA ESQUERDA RADICAL E AS PROPOSTAR PARA RESOLVER OS PROBLEMAS PÚBLICOS DO PAÍS
CONHEÇA SAMARA MARTINS, CANDIDATA A PRESIDENTA DA REPÚBLICA PELA UP, HERTZ DIAS, CANDIDATO À PRESIDÊNCIA PELO PSTU E EDMILSON COSTA, O REPRESENTANTE DO PCB AO CARGO DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA NESSA ELEIÇÃO.
POLÍTICA
9/7/20269 min ler


Samara Martins — Unidade Popular
Samara Martins, de 38 anos, é cirurgiã-dentista, mãe de dois filhos e militante socialista. Sua trajetória política começou ainda na juventude, com atuação no movimento estudantil: foi diretora de Mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE) e participou da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande BH (AMES-BH). Em 2022, foi candidata a vice-presidente na chapa de Léo Péricles, também pela Unidade Popular. Este ano, foi oficializada como candidata à Presidência da República pela UP, tendo Raquel Bricio como vice em uma chapa formada por duas mulheres. Atualmente, coordena a Frente Negra Revolucionária, organização voltada à denúncia do racismo e da violência contra a população negra, e também possui atuação ligada às lutas das mulheres.
A candidatura de Samara parte de uma crítica à concentração de riqueza, à exploração dos trabalhadores e à influência dos grandes empresários e bancos sobre o Estado. A UP apresenta como objetivo a construção de uma sociedade socialista e defende que as riquezas produzidas no país estejam a serviço da maioria da população, e não de uma minoria de bilionários. Nesse sentido, a candidatura combina pautas trabalhistas, feministas, antirracistas e de soberania nacional com propostas de transformação da estrutura econômica brasileira.
No campo do trabalho, Samara defende o reajuste de 100% do salário mínimo, a revogação das reformas Trabalhista e da Previdência e a redução da jornada de trabalho. Entre as propostas está o fim da escala 6x1 e a adoção de uma jornada de 36 horas semanais. Também propõe frentes emergenciais de trabalho para geração de empregos e isenção de impostos para trabalhadores. Para enfrentar a concentração de renda, a candidatura defende a taxação das grandes fortunas e o fim de subsídios fiscais e financeiros destinados aos grandes monopólios.
As questões relacionadas às mulheres também ocupam espaço central. A candidatura defende medidas de combate ao feminicídio e ao assédio, igualdade salarial, creches nos locais de trabalho e punição para agressores e assassinos de mulheres. A proposta parte de uma leitura socialista da desigualdade de gênero, relacionando a exploração das mulheres no trabalho à divisão desigual das tarefas domésticas e à estrutura econômica.
Na educação, Samara propõe destinar 10% do PIB para a área, além do livre acesso às universidades e do fim do vestibular e do ENEM como mecanismos de seleção. Na saúde, defende o fortalecimento do SUS, o aumento de seu orçamento e a nacionalização dos planos de saúde. Também propõe que políticos sejam obrigados a utilizar os serviços públicos de saúde e educação.
A candidatura também apresenta propostas de reforma agrária popular, fim do latifúndio e maior controle estatal sobre os preços dos alimentos e o uso de agrotóxicos. Para os povos indígenas e quilombolas, defende a demarcação de territórios e a proteção das reservas e florestas nacionais. Na segurança pública, propõe a desmilitarização das polícias.
Na economia e na política externa, a UP defende uma maior soberania sobre os recursos brasileiros. Entre as propostas estão a nacionalização dos bancos, a reestatização de empresas privatizadas, a suspensão do pagamento da dívida pública para realização de uma auditoria e a socialização das grandes empresas. A candidatura também se posiciona contra a exploração estrangeira dos recursos naturais brasileiros e defende a retomada da Base de Alcântara e maior controle nacional sobre as terras raras.
Assim, Samara Martins apresenta uma candidatura que combina sua trajetória no movimento estudantil, negro e de mulheres com um projeto de transformação socialista da economia e do Estado. Suas propostas procuram enfrentar desigualdades sociais, exploração do trabalho, racismo e violência contra as mulheres por meio de mudanças estruturais na organização econômica e política do país.
“Nós queremos um país sem injustiças sociais e sem exploração dos trabalhadores por uma minoria de bilionários. Chega de nossas riquezas serem roubadas pelos EUA, pela China ou pela União Europeia. Junte-se a nós e vamos construir um país socialista!”




Hertz Dias — PSTU
Hertz Dias, de 55 anos, é professor de História da rede pública, rapper e ativista do movimento negro. Nascido em São José de Ribamar, no Maranhão, é formado em História e mestre em Educação pela Universidade Federal do Maranhão. Sua trajetória política e cultural está fortemente ligada ao movimento negro e ao Hip Hop. Em 1989, participou da criação do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, no Maranhão, e também integra o grupo de rap Gíria Vermelha. Sua atuação combina a denúncia do racismo com a organização política da população negra e trabalhadora. Em 2018, foi candidato a vice-presidente pelo PSTU e posteriormente concorreu à Prefeitura de São Luís e ao Governo do Maranhão. Este ano, foi oficializado como candidato do partido à Presidência da República, tendo Vanessa Portugal como vice.
A candidatura de Hertz parte de uma crítica à desigualdade econômica, à exploração do trabalho e à própria estrutura do capitalismo. O PSTU apresenta seu programa como uma alternativa socialista e revolucionária e defende que a classe trabalhadora tenha controle sobre as decisões políticas e econômicas. A proposta também coloca no centro as lutas da população negra, das mulheres, da juventude e de outros setores historicamente oprimidos.
No trabalho, Hertz defende o fim da escala 6x1, sem redução de salários ou direitos, e uma jornada de 36 horas semanais. Também propõe a revogação das reformas Trabalhista e da Previdência, aumento geral dos salários e ampliação da proteção social para trabalhadores de aplicativos, incluindo direitos como Previdência, férias, 13º salário e licença-maternidade. Para combater o desemprego, o programa prevê um plano nacional de obras públicas voltado à geração de empregos e à expansão de serviços como escolas, hospitais, creches e saneamento.
A questão racial possui um papel importante no programa. Hertz defende a ampliação das cotas para pessoas negras nas universidades e no serviço público, a titulação de territórios quilombolas e medidas contra o racismo no trabalho. Também propõe políticas específicas para mulheres negras, combate à intolerância contra religiões de matriz africana e o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena em toda a rede de ensino.
Na segurança pública, a candidatura defende a desmilitarização das polícias, a criação de uma força de segurança única e civil sob controle da população, a descriminalização das drogas e o fim da privatização dos presídios. Também propõe o desencarceramento em massa e o fim da criminalização de manifestações culturais periféricas, como o funk e as batalhas de rima.
Na saúde e na educação, Hertz defende serviços públicos, gratuitos e estatais, com o fim da privatização e das gestões privadas. O programa prevê a ampliação do SUS, contratação de profissionais por concurso e produção pública de medicamentos. Na educação, propõe ampliar creches, escolas e universidades públicas, valorizar os profissionais e combater a militarização das escolas.
Para a moradia, a candidatura defende a ocupação de imóveis vazios e uma política que deixe de tratar o território urbano como mercadoria. No transporte, propõe tarifa zero, estatização dos sistemas e reversão das concessões privadas, além da ampliação das redes de ônibus, metrô e trem.
Na economia, o projeto é de transformação estrutural: Hertz defende a reestatização de empresas privatizadas e a expropriação dos bilionários, além do controle dos trabalhadores sobre setores estratégicos. Entre as propostas estão uma Petrobras 100% estatal e a estatização da Vale sob controle dos trabalhadores. Também aparecem a taxação das grandes fortunas, a suspensão do pagamento da dívida aos banqueiros e medidas para impedir que riquezas produzidas no Brasil sejam remetidas ao exterior.
No campo, o programa propõe reforma agrária, demarcação e titulação de terras indígenas e quilombolas e apoio à agricultura familiar. A candidatura também associa a defesa ambiental à crítica ao modelo de exploração capitalista dos recursos naturais e defende maior soberania nacional sobre setores estratégicos.
Hertz Dias articula sua trajetória no movimento negro, na educação e no Hip Hop a um projeto de ruptura com o capitalismo e construção de uma sociedade socialista. Enquanto sua experiência política está fortemente marcada pelas lutas raciais e da classe trabalhadora, suas propostas procuram transformar não apenas políticas públicas específicas, mas a própria forma como a economia e o poder político estão organizados no país.
“É impossível salvar o planeta tentando salvar o capitalismo. Tem que ser com revolução socialista.”


EDMILSON COSTA — PCB
Edmilson Costa, de 76 anos, é economista, professor e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nascido em Pedreiras, no Maranhão, iniciou sua militância política durante a ditadura militar, quando atuava no movimento estudantil e foi perseguido pelo regime. É doutor em Economia pela Unicamp e possui pós-doutorado pela mesma universidade. Em 2008, foi candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PCB e, em 2010, candidato a vice-presidente na chapa de Ivan Pinheiro. Desde 2016, ocupa o cargo de secretário-geral do partido. Este ano, foi escolhido pelo PCB para disputar a Presidência da República, tendo Cleusa Santos como vice.
Sua candidatura se posiciona no campo da esquerda revolucionária e defende a construção do Poder Popular e do Socialismo. O programa parte de uma crítica ao capitalismo, à concentração de riqueza e à influência do poder econômico sobre a política. Entre as principais propostas estão a estatização e o controle público do sistema financeiro, a criação do Banco dos Trabalhadores, a investigação da origem da dívida pública e a suspensão do pagamento de juros e amortizações, além da reestatização de empresas estratégicas privatizadas, do controle do câmbio e do comércio exterior e de uma reforma tributária com impostos progressivos.
Na área do trabalho, defende a revogação das reformas trabalhista e previdenciária e do arcabouço fiscal, a redução da jornada para 30 horas semanais sem redução salarial, o fim da escala 6x1, a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos e a recuperação do poder de compra dos salários, com o salário mínimo chegando ao valor calculado pelo Dieese. Também propõe reforma agrária popular e um amplo programa de habitação para enfrentar o déficit habitacional.
Nas áreas sociais, o programa defende a estatização integral da saúde, incluindo a produção de medicamentos, vacinas e equipamentos, e uma educação 100% pública e gratuita, com a estatização do ensino privado, ampliação dos Institutos Federais e escolas técnicas e valorização dos profissionais da educação. No transporte, propõe tarifa zero nas cidades e expansão das redes ferroviária e hidroviária.
No campo político, propõe a extinção do Senado e a criação de um Parlamento unicameral, além de Conselhos Populares eleitos nos locais de trabalho, moradia e estudo. Defende a democratização dos meios de comunicação, o fim dos monopólios privados e a criação de uma empresa pública de comunicação. Também propõe a desmilitarização da segurança pública e a democratização do Judiciário, com mandatos por tempo determinado para tribunais regionais e superiores.
A candidatura também defende a recuperação de biomas, rios e solos, a demarcação de terras indígenas, quilombolas e ribeirinhas e políticas de combate à violência, opressão e discriminação contra mulheres, negros, povos indígenas e população LGBT. Na política externa, adota uma posição internacionalista, defendendo a autodeterminação dos povos e expressando solidariedade a Cuba, Palestina e Venezuela, além de oposição ao imperialismo.
“O Brasil precisa ser devolvido ao seu verdadeiro dono, que é o povo brasileiro”
Artigo escrito por: Júlia Helena Ferreira El Sid (Ciências Sociais – UFRJ)
BOLCHENEWS
Fique por dentro das últimas notícias
contato
© 2025. All rights reserved.
