ECONOMIA POLÍTICA BRASILEIRA E INTERNACIONAL: ENTREVISTA COM DIEGO EYMARD / COORD. ECONOMIA - INSTITUTO SOYUZ

Diego Eymard é Diretor Geral do Centro de Estudos Interdisciplinares Soyuz, Coordenador, Conselheiro e Professor dos Departamentos de Economia e Ciências Sociais do Instituto Soyuz. Doutorando em Economia (UFF), mestre em Economia (UNIFAL) e bacharel em Ciências Econômicas (UFSJ).

ECONOMIAPOLÍTICASAULO CORLEONE

8/14/202613 min read

O Bolchenews tem a honra de convidar para essa entrevista sobre economia política, o Prof. Diego Eymard do Instituto Soyuz.
1 – Professor, o noticiário tradicional costuma tratar a questão fiscal lidando apenas com o aspecto corte de gastos públicos e austeridade. Para a classe trabalhadora, o que realmente significa o debate sobre o orçamento do Estado e como o atual modelo fiscal brasileiro impacta a formulação de políticas públicas, que precisam de investimentos e orçamento garantido todo o ano para funcionar?
Essa questão trata de colocar a classe trabalhadora no centro de um debate que é, inclusive, construído para a afastar dele. Primeiro temos de limpar o terreno quanto à diferença entre o "fiscal" e o "monetário". Como estamos no nível de abstração dos "noticiários", um nível em que saltitam as mistificações produzidas pelo movimento do capital (lembro a você que é justamente nos noticiários que ouvimos absurdos como "o mercado reagiu mal"), o fiscal costuma se referir aos gastos públicos e às receitas públicas, enquanto o monetário, que teremos oportunidade de tratar mais adiante, à taxa básica de juros e às regras bancárias de crédito.
Veja, se você procurar em praticamente qualquer site entre os top trendings do Google o significado de “política fiscal”, aposto que vai se deparar com uma síntese do objetivo desse tipo de política: equilibrar as contas públicas e direcionar investimentos. Talvez, ainda “aprenderá” que gastar mais ou cortar impostos estimula a economia, enquanto o oposto representaria um freio para ela. É assim que aprendemos nas faculdades de economia, também. Se “política fiscal” for assim definida, e se os economistas aceitarem esta definição (como tradicionalmente aceitam os que são eleitos pelo mercado), a trava é estabelecida a priori. Não se pode usar o fiscal para estimular o crescimento do investimento porque esse não deve ser o objetivo da política fiscal.
Menos investimento do Estado acarreta em saúde pior, em segurança pior, em educação defasada, em salários sem recomposição para o funcionalismo público (exceto para aqueles do alto escalão...). Veja: esta é uma questão teórico-metodológica que se impõe sobre o economista profissional. É assim que ele aprende a pensar. Mas também aqui se encontra uma questão de ordem político-prática que se eleva sobre nós, reles mortais: o tripé macroeconômico. Este aqui não pode ser ignorado pela classe trabalhadora.
O tripé é articulado em torno de três princípios: metas de superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante. São as metas de superávit primário que impõem uma restrição brutal sobre o orçamento brasileiro, e é também em razão dessas metas, que nada mais são que uma maneira de garantir que o gasto público primário (o gasto que não considera o pagamento de juros da dívida pública) seja sempre menor que a arrecadação da União, que os operadores da política econômica ganham legitimidade para operar sem nenhuma consideração com a vida real da classe trabalhadora. É do tripé macroeconômico e, particularmente, do superávit primário que se deriva e se justifica a “necessidade” de teto de gastos e de sua atualização dantesca, o arcabouço fiscal.
Essencialmente, o que quero dizer é que demonstrar a importância desse debate sobre gasto público e austeridade para a classe trabalhadora é notória. Mas sempre sairemos perdendo nele se estivermos operando nos próprios termos daqueles que o criaram.
2 – Para o trabalhador que sente o poder de compra derreter no supermercado e que tem na lembrança o chamado “dragão da inflação”, esse fenômeno econômico se transforma num pesadelo constante. Saindo daquela explicação liberal de que inflação é apenas excesso de dinheiro, o que de fato gera esse fenômeno estrutural da nossa economia?
Além de responder à questão teórica proposta sobre o significado e a causa da inflação, quero dedicar algumas linhas (não muitas, prometo) para esse fenômeno como "um pesadelo". Tenho minhas dúvidas se é a inflação que tem derretido esse poder de compra da classe trabalhadora, mas falo isso ao final. Primeiro precisamos entender a inflação numa perspectiva que apresente um contraponto real à visão liberal/ortodoxa.
Como os liberais costumam definir esse fenômeno? A maioria se baseia, ainda, na derrotada e ultrapassada Teoria Quantitativa da Moeda, expressa na "equação de Fisher": MV=PY. M é a oferta de moeda, V é a velocidade de circulação da moeda, P é o nível geral de preços e Y é o produto real, isto é, a riqueza produzida pela economia, que também pode ser medido pela renda nacional. O que essa equação nos diz? Fundamentalmente, que o valor total das transações monetárias em uma economia (compra e venda usando moeda) é idêntico ao valor total dos bens e serviços produzidos.
O monetarismo de Milton Friedman, cujas formulações são até hoje muito influentes entre os macroeconomistas (ainda que alguns não saibam disso, ou fingem não saber), tomou esta identidade contábil e a transformou em uma teoria sobre as causas da inflação, argumentando que, se a velocidade da moeda (V) e o produto (Y) forem constantes (não variarem), qualquer aumento na oferta de moeda (M) causará um aumento diretamente proporcional no nível de preços (P). Em síntese: essa vertente postula que a elevação generalizada dos preços (inflação) é sempre decorrente da emissão excessiva de moeda pelo Estado.
Mas isso não se sustenta por várias razões. A primeira e mais importante delas e que quero ressaltar aqui é que, seguindo Marx, a inflação é sempre resultante de uma assimetria. O valor da moeda, isto é, o que uma unidade monetária efetivamente pode comprar, é sempre uma expressão do valor das mercadorias. A inflação pode muito bem surgir do poder de empresas concentradas de elevar ou sustentar preços, especialmente em setores essenciais. Quando petróleo, alimentos, transporte, aço etc. ficam mais caros, esses aumentos se propagam por toda a cadeia produtiva. Com o nível geral de preços subindo, é preciso mais dinheiro e crédito para realizar as mesmas transações. Por isso, a correlação entre mais dinheiro e preços maiores pode parecer causalidade, quando, na verdade, não tem causalidade nenhuma. Me parece que o aumento dos preços é que costuma criar a necessidade de mais dinheiro em uma economia capitalista, e não o contrário.
Isso nos leva de volta à pergunta inicial: afinal, é mesmo a inflação a vilã da história? Observando os indicadores macroeconômicos recentes, dificilmente a tese do descontrole inflacionário se sustenta. O IPCA tem registrado variações acumuladas em torno de 4,33% a 4,64% até aqui, segundo dados do IBGE. Esses são patamares absolutamente distantes dos cenários de hiperinflação que fundamentariam o terrorismo econômico que os liberais/ortodoxos fazem. Eu sei que a inflação incide de forma assimétrica, penalizando sempre mais severamente as camadas subalternas da classe trabalhadora através da alta dos alimentos e insumos básicos, mas não acho que seja isso que explique a sensação contínua de “derretimento” da renda do trabalhador.
O meu palpite é que vamos encontrar respostas muito mais contundentes se as procurarmos na precarização dos salários, na superexploração da força de trabalho e na inserção forçada da classe trabalhadora na lógica do capital especulativo parasitário. Esta última, em especial, me parece que é um dos fatores mais relevantes, cuja uma das formas que incide sobre a classe trabalhadora é o endividamento. Temos registros muito preocupantes por parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Estamos falando de 82% das famílias endividadas em julho de 2026. 29,8% de taxa de inadimplência. A modalidade predominante do endividamento é o cartão de crédito (84,9%), seguido por carnês (16%) e crédito pessoal (12,6%). Mais alarmante é o comprometimento médio da renda das famílias com o pagamento do serviço dessas dívidas, que saltou de 22% em 2019 para cerca de 29,7% da renda doméstica total atualmente.
O fato é que, além de o Estado arcar com a rapina do capital especulativo através da dívida pública, os salários dos trabalhadores também estão sendo apropriados por essa mesma rapina, através de mecanismos diferentes. É isso que penso que estimula cada vez mais a sensação de não ter dinheiro, que é uma sensação verdadeira para a qual o nosso papel é diagnosticar corretamente, estabelecer pontes para o diálogo e demonstrar por que é tão urgente construir um futuro diferente.
3 – Temos convivido com taxas de juros altíssimas, uma das mais altas do mundo. Como a manutenção da Selic nesse patamar asfixia o desenvolvimento produtivo do país, trava a economia real e beneficia essencialmente o rentismo?
Articulo com o que argumentei na questão anterior. Insisto em enaltecer um fato que deve estar na ordem do dia: a manutenção das taxas de juros reais mais altas do mundo não é consequência do suposto “desequilíbrio fiscal”. A taxa básica de juros (Selic) é fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), composto por nove membros com direito a voto. Um deles é o presidente do Banco Central, Galípolo, que pratica a mesmíssima política monetária do presidente anterior, Campos Neto. E a maior parte dos outros oito que ocupam esse “comitê” são especialistas em gestão de riscos, derivativos, e demais temas caros ao mercado financeiro.
Em 2021, veio a institucionalização da autonomia do Banco Central, algo que o campo crítico da economia combate desde o século passado (ver, por exemplo, “A economia política da mudança”, organizado por J. A. De Paula), porque a autonomia, consequência da independência, é o ápice de um projeto político de blindagem do aparelho financeiro do Estado que começou nos anos 1990, desde a criação do tripé macroeconômico por FHC, Armínio Fraga e companhia. A principal alavanca macroeconômica do país, isto é, a política monetária, está entregue aos imperativos do mercado financeiro global e dos credores da dívida pública, sem que as decisões tomadas reflitam a realidade e a vontade da classe trabalhadora.
Dito isso, quero alertar para um perigo implícito nesta pergunta. Diante desse cenário espoliativo que venho descrevendo até aqui, emergiu no seio da esquerda a tese de que a manutenção da Selic em patamares estratosféricos “asfixia o desenvolvimento produtivo do país” e “trava a economia real”. Em partes, eu concordo: quanto maior for a taxa de juros, maior será a fatia do mais-valor total da nossa economia direcionada ao pagamento de juros da dívida pública, e menor será a quantidade de capital investido no que seria a “produção real” de mercadorias. No entanto, a linha é tênue entre essa compreensão e a ideia de que existe um conflito basilar entre um capital financeiro “parasitário, especulativo e mau” e um capital industrial “produtivo, gerador de empregos e bonzinho”. Todo capital parasita; todo capitalista é, de certo modo, “rentista”. Quando Marx disse que o capital é trabalho morto que, como um vampiro, vive sugando trabalho vivo e vive mais quanto mais trabalho suga, ele estava descrevendo todo tipo de capital, e não apenas um.
Em O Capital, notadamente nos esquecidos Livros II e III, Marx demonstra que o “capital industrial” não se confunde com a existência de fábricas; na verdade, o capital industrial é o capital em geral, apreendido em seu ciclo de movimento inteiro e ininterrupto, em que o capital adianta dinheiro, compra meios de produção e força de trabalho, produz mercadorias novas e as vende por mais dinheiro do que investiu. Este é o ciclo que Marx chama de capital industrial (D-M...P...M’-D’).
Múltiplas formas do capital, seja o capital comercial (comprar para revender, D – M – D’) ou o capital portador de juros (emprestar dinheiro para receber mais dinheiro, D – D’), são apenas frações desse movimento global de valorização do valor. As altas esferas da burguesia brasileira são profundamente intrincadas e financeirizadas. Ganham tanto na exploração direta da força de trabalho no chão de fábrica e nas lavouras do agronegócio quanto na aplicação de seus excedentes em títulos da dívida pública e no mercado de derivativos. No capitalismo dependente e periférico brasileiro, a possibilidade de uma industrialização nos moldes estabelecidos por esse mesmo tipo de capitalismo é muito remota. Os marxistas podem muito bem, taticamente, apoiar o desenvolvimento das forças produtivas e a defesa da soberania nacional, mas devem o fazer sem perder de vista o imperativo estratégico, que é quebrar com todo tipo de capital, e não apenas com o “capital mauzinho” enquanto preservaríamos o “capital bonzinho”.
4 – Recentemente, o governo dos Estados Unidos impôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, usando o avanço do Pix como uma das justificativas. Como o nosso sistema público de pagamentos desafia o monopólio de gigantes estadunidenses, como Visa e Mastercard, e até que ponto essas retaliações e possíveis sanções colocam a nossa soberania financeira em risco?
Essa realidade bate à porta com força, não é? Diria, primeiro, que a inserção subordinada e dependente do Brasil na economia global manifesta-se aqui de maneira explícita. Diante das agressões comerciais perpetradas por Trump, resta-nos as notas de repúdio e a indignação. O governo brasileiro assiste a isso atônito e com as mãos atadas. O Pix apresentou um sucesso vertiginoso, corroendo massivamente a rentabilidade e a hegemonia das bandeiras de cartão de crédito e débito baseadas nos Estados Unidos, como as que você citou. Antes do Pix, essas companhias estadunidenses extraíam montantes bilionários do mercado brasileiro através de taxas de intercâmbio, spread cambial e aluguel de terminais.
Esse tarifaço atual, ao lado da investigação da Seção 301 usada como instrumento de retaliação unilateral, parece ter como objetivo primário forçar o Estado brasileiro a reestruturar a governança do Pix, exigindo que o Banco Central privatize a operação, abra mão de seu controle estrutural ou imponha tarifas significativas aos usuários. A situação expõe muito bem a dinâmica do tal “livre mercado”! Quando corporações centrais perdem a concorrência para uma infraestrutura pública e digital eficiente desenhada por um Estado periférico, o aparato imperialista entra em ação com sanções comerciais e chantagem. Para nós, fica a dura lição de que a nossa autonomia tecnológica e monetária sempre será atacada quando se interpor no caminho da remessa de superlucros dos centros hegemônicos.
5 – Professor, o Centro Soyuz estuda profundamente as experiências asiáticas. Existe muita desinformação ocidental sobre a Coreia Popular, mas um aspecto econômico que sempre chama atenção é a ausência de cobrança de impostos da população. Como funciona a engenharia econômica de um Estado socialista para se sustentar e garantir infraestrutura sem recorrer à tributação dos seus cidadãos?
Os quadros do Instituto Soyuz hoje se dedicam a estudar as diversas experiências de lutas socialistas e anticoloniais ao redor do mundo. Mantemos um profundo apego e admiração por essas experiências, procurando nelas as lições para pensarmos a revolução brasileira, sem perder de vista as contradições que também fazem parte de todas elas. A nossa missão é democratizar o acesso ao ensino de idiomas, especialmente aqueles historicamente associados ao movimento socialista internacional, e disputar a ciência para romper com a dependência na qual o Brasil está inserido, aproximando a classe trabalhadora brasileira das lutas dos movimentos ao redor do mundo. Muitas brigadas do Instituto se dedicam ativamente a compreender e a divulgar esses movimentos, a exemplo da Brigada Coreana, e recentemente criamos o Departamento de Ciências Sociais "Vladimir Ilyich Ulianov", cuja principal linha de pesquisa é "Imperialismo, Questão Nacional e Transição Socialista".
Um primeiro aspecto da questão é quanto à cobrança de impostos num modo de produção socialista. Não é segredo para ninguém (nem mesmo para um deputado tão medíocre quanto o Caporezzo, que compreendeu “imposto progressivo” como “cobrar mais imposto” rsrsrs) que Marx e Engels defenderam o imposto de renda progressivo entre as medidas de transição. Mas existem diferenças entre as diferentes experiências...
É fato que um Estado socialista precisa arrecadar recursos e se fortalecer internamente, por exemplo, através da industrialização acelerada, ou não sobrevive ao cerco das potências internacionais. Na União Soviética, por exemplo, houve um longo e fértil debate que envolvia, inclusive, essa questão da cobrança de impostos.
Há muita desinformação produzida por agências ocidentais sobre a Coreia Popular. Como você bem salientou, um fato histórico e incontornável na Coreia Popular é a completa abolição da cobrança de impostos diretos à população norte-coreana, oficializada em março de 1974 sob a liderança de Kim II Sung. E cá estamos nós, em 2026, no capitalismo dependente brasileiro, pagando impostos sobre consumo, propriedade, veículo, renda, etc., nos perguntando como pode um Estado sustentar uma infraestrutura militar defensiva, garantir educação e saúde universais, prover habitação coletiva para milhões de cidadãos sem ter que taxar os seus rendimentos?
Nas democracias burguesas do capitalismo dependente, imaginar algo assim é impossível. O Estado tributa majoritariamente a classe trabalhadora e utiliza essa arrecadação para manter a infraestrutura necessária ao mercado e, sobretudo, para pagar juros abusivos ao capital privado nacional e estrangeiro. Não sou um estudioso da Coreia Popular, mas me parece que, como a propriedade privada dos grandes meios de produção, do setor bancário e das terras aráveis foi erradicada, as unidades físicas desses setores passaram a operar para produzir valores de uso e gerar excedentes que pertencem de imediato ao Estado centralizado, que distribui essa produção para o conjunto da sociedade. Na prática, então, o Estado norte-coreano apropria-se de antemão do excedente econômico gerado na produção antes mesmo que este excedente assuma a forma de lucro. Talvez aí esteja um dos pilares da resiliência duradoura da Coreia Popular, uma nação que forjou sua identidade resistindo ao imperialismo e ao apartheid japonês no início do século XX, e que se sustenta até hoje a despeito do mais asfixiante bloqueio econômico promovido pelos Estados Unidos e seus aliados.
Considerações finais:
Gostaria de agradecer imensamente pelo convite e pelo espaço. Fiz o possível para responder adequadamente às questões propostas, que tocam em temas complexos e que carecem de mais desenvolvimento teórico pelo nosso campo. Para todas as respostas, há um fio condutor que saliento ao leitor por sua não trivial importância. Estamos diante de um momento histórico decisivo para o Brasil, que pode estar sendo alvo de um ataque imperialista coordenado e altamente agressivo, e que cada vez mais se vê como o último bastião de uma América do Sul não total e inteiramente subordinada aos Estados Unidos. Não conseguiremos resistir e revidar essa agressão se continuarmos nos apegando aos remendos institucionais e à conciliação de classes, que, a despeito de desacelerarem o avanço do neoliberalismo, não nos colocam em direção ao rompimento com a dependência. Esse rompimento exige transformações de caráter estrutural e revolucionário. A revolução brasileira precisa estar na ordem do dia.
BOLCHENEWS

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