HOJE, A VENEZUELA. AMANHÃ, O CONTINENTE.
Um ataque à Venezuela é um ataque à todo o continente; o bombardeio de Caracas é um anúncio - o fim da hegemonia Estadunidense chegou, e é hora de cada potência assegurar sua zona de influência.
LUIZ FRANCISCOPOLÍTICAINTERNACIONAL
1/3/20263 min ler


É óbvia a qualquer observador honesto a constatação de que os Estados Unidos da América estão em plena derrocada. Falar da crise do império norte-Americano já se tornou um clichê, mesmo que seus primeiros mensageiros tenham sido taxados, à sua época, de loucos. Porém, a obviedade da crise não quer dizer, de forma alguma, o fim dos EUA ou do imperialismo; desafiados pelas novas potências mundiais, o que lhes resta é um recuo tático - uma volta às origens de seu império, à segurança de seu “quintal”, ao continente Americano. A crise chegou ao centro império, e suas elites - representadas hoje pelo governo fascista de Donald Trump - se movem para garantir um lugar de destaque em uma nova ordem multipolar. Diante de nossos olhos, o mundo está sendo re-dividido entre as potências, para regozijo de suas elites monopolistas. O que assistimos hoje na Venezuela é um desdobramento desse fato.
Desde o século 19, a doutrina do excepcionalismo norte-Americano, de seu suposto “Destino Manifesto”, de sua “missão divina”, tem seus pilares em alguns dogmas; na base da pirâmide, fundamentando todos os outros, está o supremacismo branco - um resquício colonial da escravidão e colonização que “justificava” as atrocidades européias ao redor do globo, abrindo espaço para a expansão forçada do capital à todos os cantos do planeta. Tal supremacismo alimenta então um segundo dogma, ainda mais duradouro, que pode ser resumido na crença em uma suposta superioridade da “civilização Ocidental” frente à “barbárie” dos outros povos - e, por tanto, da superioridade de suas instituições e seu sistema político e econômico. Da combinação destas duas crenças, surge uma terceira: o suposto direito “natural” do “Ocidente” em impôr, à força, sua vontade ao resto do mundo. É natural, portanto, que sejam esses também os pilares ideológicos da política externa dos Estados Unidos - o mais poderoso império que a humanidade já conheceu.
A presidência de Donald Trump é excepcional apenas em sua forma e brutalidade; mobiliza as massas pelo medo, pelo fetichismo da identidade branca, pelo nacionalismo, sem esconder seus objetivos belicistas nem sua visão colonial do mundo. Suas ações, porém, em pouco diferem de seus antecessores - independentemente de partido. Assim como Janus, o deus grego das encruzilhadas, o liberalismo e o fascismo são duas faces que habitam o mesmo corpo - duas ideologias que justificam o mesmo sistema, dois véus que encobrem a realidade para mobilizar as massas contra os seus próprios interesses. Duas estéticas e retóricas para uma mesma finalidade: a manutenção do poder político e econômico das elites capitalistas.
Com esses fatores em mente, a invasão norte-Americana da Venezuela toma novos contornos; não se trata, como pregavam a Casa Branca e seus apoiadores até poucos meses atrás, de uma operação contra o “narco-terrorismo”; o que estamos vivenciando é uma tentativa clara e aberta de re-colonização do continente Americano. Na corrida mundial pela redivisão dos recursos, mercados e terras raras, os EUA reafirma hoje seu domínio sobre o nosso continente. Reafirma, diante de sua população, seus delírios de superioridade. Reafirma, diante do mundo inteiro, sua intenção de assegurar na América Latina um continente de escravos e uma mina de recursos, pronta para ser drenada ao bel prazer de suas elites monopolistas. A agressão à Venezuela, o sequestro de seu presidente, e o anúncio de uma ocupação militar para governar o país durante um período indeterminado de “transição”, são não só flagrantes violações da lei internacional, mas também um anúncio - aos olhos dos Estados Unidos, a América Latina não tem direito ao autogoverno; nossas terras e nossos povos não nos pertencem; a era das intervenções diretas em nosso continente voltou.
A nós, só resta a resistência; Assim como, na época de Bolívar, o povo Venezuelano é forte, independente e muito bem armado. Mas uma ocupação não se vence apenas com vontade; é necessária mobilização, apoio, e solidariedade. Se queremos garantir a soberania de nosso continente, a independência de nossos povos, e uma alternativa de futuro para os nossos países, devemos nos mobilizar em solidariedade, da forma como pudermos. Ou nos mobilizamos hoje pela Venezuela ou, em pouco tempo, não restará quem se mobilize por nós.


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